Monday, August 14, 2006

Sinto que morro só.

Vejo um restaurante lotado e pessoas a comer em suas mesas de plástico.

Uma senhora curvada e com bafo de naftalina volta-se pra mim e esculacha:

- seu demente! Você pisou no meu pé.

Matei a velha ali mesmo. Ela morreu sorrindo. Satisfeita. Não doeu nada. matei porque eu quis; matei porque o pé dela estava lá. Matei porque odeio cheiro de roupa guardada.

Ela gostou de morrer porque já estava curvada mesmo..O chão não chegava nunca..por mais curvada que fosse : a morte aproximou o chão. Ela precisava de chão. Era tão seguro.

Eu sei que fiz um bem. Não me arrependo.

Continuei olhando pra velha...Ela estava lá, comendo amargamente com seus filhos...Sei que se ela tivesse realmente morrido eles ficariam contentes- já era um fardo.

Continuei andando. Sentei num cadeira de madeira – detesto plástico. O plástico é moldável. Já eu gosto de coisas mais inflexíveis. Adoro pedra.

Caí na pedra e morri só. Ninguém no restaurante se mexeu. Ficaram parados carregando meu corpo...Todos desesperados...Eu continuava só.

Que multidão maldita. Não enche barriga.